|
Os jovens se questionam
Como um jovem pode se sentir parte da imensa
humanidade-corpo para se tornar sua célula viva? |
|
|
Como pode um jovem “célula-viva” descobrir e viver
a sua função específica para ser dom a todo o corpo? |
|
Existe um caminho para superar as barreiras entre os povos e as nações em conflito e
entrar na realidade mais profunda de uma humanidade-família, que se pertence segundo
o projeto de Deus? |
|
|
A minha liberdade pode crescer ou diminuir
vivendo em relação com os outros, diferentes de mim? |
|
Todo o corpo sente se uma célula sofre; porque então muitas vezes ficamos indiferentes
diante do bem e do mal do mundo? |
|
| Como acolher com alegria a minha diversidade e aquela do outro? |
|
|
Como despertar na sociedade a consciência que os migrantes não são somente um
problema, mas que representam também, com suas múltiplas pertenças, uma
oportunidade para a humanidade nova que se está formando? |
Os jovens nos comunicaram essas e muitas outras perguntas para aprofundar o tema que os Centros Internacionais - na Suíça, Alemanha, Itália, México e Brasil - propuseram como percurso formativo deste ano: Jovens e migrantes, células vivas na humanidade-corpo.
O questionar-se desses jovens é já um fato significativo. Eles vivem, lá onde estão, a complexa realidade social, que sempre mais assume as mesmas características em todo o mundo. Percebem e sofrem tal realidade, vivendo muitas vezes em primeira pessoa as contradições, as dificuldades, as exclusões e as injustiças mais absurdas. Justamente um pouco como os migrantes, principalmente os refugiados, para os quais o futuro é árduo e muitas vezes não oferece perspectivas e nem mesmo um pedaço de terra onde repousar a cabeça.
Contudo, existem jovens que não se resignam nem se detém na denúncia impotente e estéril.
Nas suas perguntas, existe uma esperança viva e ao mesmo tempo uma vontade de fazer algo, de viver plenamente o dom e a tarefa da própria vida. E ainda se pode ler algo a mais por trás das palavras. De fato, se a escuta se faz atenta e profunda, pode-se perceber que eles têm aberto espaço para uma mudança de perspectiva e de valores: acolheram com estima e confiança a Palavra de Deus, principalmente ali onde o apóstolo Paulo na sua carta aos Coríntios escreve:
Com efeito, o corpo é um e, não obstante, tem muitos membros, mas todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, formam um só corpo. Assim também acontece com Cristo e vocês são o corpo de Cristo e são os seus membros, cada um por sua parte (cf. 1Cor 12,12 e 27).
As mesmas perguntas fazem entrever, além das ideologias e das utopias, jovens realistas que desejam viver sua vida no hoje do mundo, comprometendo-se por um futuro novo. Por isso, sentem que precisam ancorar-se nas dimensões e certezas da fé, deixando-se iluminar e conduzir pela realidade que é Cristo (Cl 2,17).
Buscam experimentar - como em um laboratório - relações novas capazes de fazer emergir no diálogo, na colaboração e comunhão, o pertencer mais profundo, que pode transformar positivamente até as desvantagens, as limitações, o mal: é possível, seguindo os passos de Jesus, entregues ao seu Espírito de amor como membros do seu corpo. Conformar-se aos critérios do mundo seria dar-se por vencidos. Para viver a realidade, assim como hoje se abre diante dos nossos olhos, são necessárias novas estradas, que não sejam uma evasão das dificuldades e dos problemas.
Migrantes e jovens vêem e sofrem com os problemas do mundo, em primeira pessoa, mas têm uma esperança que os move: a confiança que juntos se pode sempre encontrar um caminho possível de ser percorrido rumo a uma vida mais humana, mais digna, fecunda de significado e de amor, e por isso de alegria. É preciso experimentar esse caminho juntos, não só para si mesmos, mas também para os outros, através da ajuda de Deus e da ajuda recíproca, colocando-se no caminho da partilha com quem ainda é deixado fora da porta e, como estrangeiro, sofre mais. Na realidade, já estamos nesse caminho. De fato, estamos tentando viver a Palavra de Deus na acolhida de cada diferença. Tudo isso de modo simples, no caminho proposto pelos Centros Internacionais. Os Centros, de fato, inspiram-se na espiritualidade de comunhão entre as diversidades do bem-aventurado João Batista Scalabrini, cuja herança continua viva na Família Scalabriniana e continua a ser anunciada através do testemunho e nos vários modos de sua ação missionária.
Quem parte da Palavra de Deus em comunhão pode já experimentar, mesmo na fadiga do êxodo de si mesmo ao Outro e aos outros, alguma antecipação da meta.
Será que Jesus - o verdadeiro homem católico universal - não mostrou, com sua morte para todos e sua ressurreição, que é Ele o Caminho, mesmo permanecendo para cada um de nós a meta perfeita?
Sim, junto a tantos podemos caminhar, buscar e encontrar, tentar e arriscar algo novo, de modo a nos podermos sentir enviados nos ambientes da nossa vida cotidiana pela força viva de amor do Ressuscitado, como suas pequenas células para o crescimento de uma humanidade nova sem fronteiras discriminatórias.
Mesmo as pequenas luzes na noite servem para nos orientar. Também as pequenas comunidades espalhadas nos bairros do nosso mundo podem ser presença de fermento vivo do Evangelho que salva e faz novas e bonitas todas as coisas.
A missão que nos move não tem confins e ao mesmo tempo permanece unida ao dom essencial da nossa própria existência: existência que o Pai nos deu por amor, que o Filho - com o seu corpo dado e seu sangue derramado - continuamente regenera e liberta dos laços do pecado e do medo, que o Espírito Santo-amor preenche sempre novamente de esperança e de alegria, tornando leves nossos passos, mesmo através dos túneis provisórios de cada cruz e sofrimento. Dores do parto na partilha com uma humanidade nova que está nascendo. A co-responsabilidade pelo mundo - através da missão que Deus confiou a cada um de nós - é movida pela mesma confiança que nos dá a Igreja. Assim como transparece nas palavras que João Paulo II nos deixou na sua Encíclica Redemptoris Missio:
É verdade que a 'escolha dos menos afortunados' deve levar a não descuidar os grupos humanos mais isolados e marginalizados, mas também é verdade que não é possível evangelizar as pessoas ou pequenos grupos, descuidando os centros onde nasce - pode-se dizer - uma nova humanidade, com novos modelos de desenvolvimento. O futuro das jovens Nações está se formando nas cidades.
Falando de futuro, não é possível esquecer os jovens que, em numerosos Países, constituem mais de metade da população. Como proceder para que a mensagem de Cristo atinja esses jovens não cristãos, que são o futuro de inteiros Continentes? Evidentemente já não bastam os meios tradicionais da pastoral: são necessárias associações e instituições, grupos e centros específicos, iniciativas culturais e sociais para os jovens. [...]
Entre as grandes transformações do mundo contemporâneo, as migrações produziram um novo fenômeno: os não cristãos chegam em grande número aos Países de antiga tradição cristã, criando novas ocasiões para contatos e intercâmbios culturais, esperando da Igreja o acolhimento, o diálogo, a ajuda, numa palavra, a fraternidade. Entre os emigrantes, os refugiados ocupam um lugar especial e merecem a máxima atenção. São já muitos milhões no mundo e não cessam de aumentar: fogem da opressão política e da miséria desumana, da fome e da seca que assume dimensões catastróficas. A Igreja deve acolhê-los no âmbito da sua solicitude apostólica.
Por fim, lembramos as situações de pobreza, frequentemente intoleráveis, que se criam em bastantes Países, e estão muitas vezes na origem de migrações em massa. Estas situações desumanas desafiam a comunidade cristã: o anúncio de Cristo e do Reino de Deus deve tornar-se instrumento de redenção humana para estas populações. (37 b)
Um envio, uma missão sempre nova e exigente, mas não impossível.
Enquanto isso, questionar-se, acreditar, caminhar juntos é já experimentar, no caminho, o amor infinito de Deus que não pode ser somente para nós mesmos mas para o mundo. Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho único (Jo 3,16), Jesus.
Maria Grazia Luise
No último encontro do ano, no Centro Internacional para Jovens - Scalabrini, alguns jovens deixaram as seguintes mensagens:
O dom da diversidade
Hoje é lançado um desafio:
viver o dom da diversidade,
acolhendo um ao outro
e, assim, toda a humanidade.
Um caminho de amor,
que nos leva a um encontro:
vejo Deus nos olhos do outro.
Descobrimos o que somos.
Assim, temos a resposta.
Da nossa busca, vemos luz:
a acolhida do irmão.
Assim, Cristo nos conduz
para uma alegria plena.
Com amor e confiança,
permanecemos em pé.
|
Vai acontecer
Vai acontecer que
todos nós viveremos com o dom da amizade,
viveremos a diversidade
e a nossa busca será o amor
nosso encontro não acabará na cruz,
Vai acontecer...
que a acolhida será para todos
e se tivermos feridas,
procuraremos curar
ajudando-nos uns aos outros,
células-vivas do corpo
da humanidade.
O amor...
Ah!... O amor será nosso maior dom.
|
|
|
|